Presença Pedagógica: Nova Pedagogia que Cura

  • Tiago
  • fevereiro 10, 2021
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A “pedagogia presença” ou “pedagogia dos não amados” nasce na periferia do Rio de Janeiro, elaborada, em 34 anos, a partir das experiências vividas, ao lado dos filhos do Brasil não amados e excluídos, a nível afetivo e socioeconômico.

O núcleo fundamental: ser presença e dar presenças onde existem muitas ausências. Nasceu do grito dos meninos na busca por respostas para os seus clamores de ausências, de fome, de família, de casa, de escola, de lazer, de profissão, de trabalho, de cidadania e de Deus. O grito mais forte, porém, é por “presença de amor de alguém que me faça sentir filho” e que me acolhe como eu sou e que se torne referência positiva me puxando a desabrochar nas dimensões física, psíquica, afetiva e espiritual transcendente.

O nível cronológico e de desenvolvimento da pessoa humana existem quatro fases ou etapas:

Experiência de filiação sou amado
Construção da minha identidade e autoestima me amo
Crescimento nas relações: sou irmão, o outro é dom eu amo
Experiências de fecundidade sou pai e mãe
Paternidade e maternidade em sentido amplo eu amo e gero vida: projeto de vida em minha missão

 

Nosso diagnóstico: a experiência de filiação é a primeira e determinante para o desenvolvimento harmonioso do ser humano. Nossos meninos e jovens não viveram esta experiência de ser filho em forma positiva. Está é a raiz de tantos problemas. A maior tragédia não é ser pobre, é não ser filho.

 

“A maior tragédia não é ser pobre; é não ser filho amado”

Resultado, 

  • Ninguém me ama: não sou filho 
  • Eu não me amo: não tenho valor 
  • Eu não amo ninguém: não sou irmão 
  • Eu não gero futuro: não consigo ser pai e mãe

 

 As experiências de não ser filho amado, do abandono e da rejeição trazem consequências e traumas na vida inteira, e dificulta um desenvolvimento sadio a nível físico, afetivo, social e espiritual. Quem não é amado não se ama e não se descobre como valor, não consegue amar e ser fecundo, gerar vidas e futuro.

 Nossos meninos, na maioria, não foram filhos e estão marcados por carências e feridas profundas que procuram preencher, com: drogas, sexo, coisas e pessoas sem conseguir êxito.

 

A NOSSA RESPOSTA É SER PRESENÇA E DAR PRESENÇAS

Nossos meninos são frutos de um aborto comunitário e precisam de um parto comunitário. Existe a capacidade de superação e reestruturação. Uma nova gestação. Mas, como acontece? Veja a seguir:

  1. AMBIENTE TERAPÊUTICO: ÚTEROS E ESPAÇOS DE FAMÍLIA Precisamos criar, em nossos espaços, um ambiente terapêutico onde as pessoas possam fazer as experiências fundamentais que, não fizeram, ou fizeram de forma negativa. Chamamos isso de nova gestação em uma comunidade educadora com presenças de: mãe e pai, de irmãos, de família e de Deus amor. 

1.1. Útero Família Antes de tudo, Presença do “útero família”: proporcionar uma experiência de filiação. Ou seja, é a volta ao útero mãe e pai, ao útero família e comunidade. As casas lares, a família educadora e outros espaços vivificantes devem proporcionar a experiência de ser filho amado.

 

A NOSSA RESPOSTA É SER PRESENÇA E DAR PRESENÇAS

 

1.2. Útero Deus

 A volta ao útero Deus, verdadeiro, pai e mãe que nunca abandona e ama, de maneira completa, é necessária e fundamental para a regeneração de vida. A dimensão religiosa, para nós, é esta relação com alguém que me ama, sempre, e como preciso. Dessa maneira, a relação – com alguém que me ama – é uma dimensão necessária para a autêntica restauração de vida. 

Outras presenças que ajudam na descoberta de si e no crescimento das relações de ser irmãos:

 

A NOSSA RESPOSTA É SER PRESENÇA E DAR PRESENÇAS

 

1.3. Útero Comunitário: Desenvolvimento Comunitário 

Trata-se de espaços físicos e humanos, verdadeiros “úteros comunitários” nos quais os meninos se sentem amados e acolhidos. É preciso criar relações entre educadores e meninos para gerar um ambiente onde se sentem acolhidos, amados e, se sintam, filhos. Nestes espaços, acontecem o treinamento para serem irmãos. Usamos, como instrumento, o dado do amor. Chamamos isso de atmosfera terapêutica que é o terreno fecundo, onde a semente-criança desenvolve e desabrocha nos seus valores físicos, afetivos, sociais e de relacionamento.

 

A NOSSA RESPOSTA É SER PRESENÇA E DAR PRESENÇAS

 

1.3.1. Presença do lúdico com atividades prazerosas: esportivas, culturais, música, percussão, dança, circo: estas atividades têm uma função catártica e de liberação de raivas, bloqueios, traumas; ajudam para o crescimento da autoestima, do protagonismo, da visibilidade e da pertença. Oferecem possibilidade de integração e socialização. Se aprende a amar com um instrumento chamado dado do amor e a descobrir o valor do outro e do diferente.

 1.3.2. Presença de profissionalização e inserção no mundo do trabalho e na sociedade: trata-se de construir o protagonismo e projeto de vida e de futuro, tendo meios para realizar os sonhos: veja os cursos profissionalizantes e preparação para a vida. É oportunidade para descobrir a vida como missão e fecundidade: possibilidade de gerar, de paternidade e maternidade em sentido mais amplo. “Sou capaz de amar, de construir o futuro e de gerar vida”.

 

A NOSSA RESPOSTA É SER PRESENÇA E DAR PRESENÇAS

 

1.4.Útero Social: Presenças de Políticas Públicas 

Entende-se por construir relações vivificantes, a todos os níveis, no bairro e nas nossas cidades: infraestruturas, casas, escolas, saúde, transportes e espaços públicos, lazer, trabalho, igrejas, município; condições para construir família e criar os filhos.

 Para educar não é suficiente a família, precisa uma aldeia e relações sociais que ajudam a crescer. Assim, se alcançam as causas da violência e se criam as condições para a prevenção e vida plena. Porque a violência é o grito de quem não é filho e não tem perspectiva, e nem possibilidade de futuro. 

O logotipo da Casa do Menor São Miguel Arcanjo, por exemplo, é um útero-abraço: a criança amada desabrocha, nesta atmosfera de calor, e solta a pipa; Começa a sonhar, a projetar e a realizar, aos poucos, o seu futuro.

 

 

Elaborado por Renato Chiera

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